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Ceratocone
1. O que é?
2. Evolução
3. Sintomas
4. Ceratocone agudo ou hidropsia aguda
5. Sinais de ceratocone no exame clínico
6. Características Topográficas
7. Diagnóstico Diferencial
8. Condições Associadas
9. Tratamento
1. O que é?
Para que a visão seja perfeita, a luz passa através das lentes naturais do olho, a córnea (externa) e o cristalino (interno), sendo focalizada sobre a retina no fundo do olho. Na ocorrência do Ceratocone, a córnea, que normalmente é esférica, tem sua forma modificada progressivamente, de esfera para cone, prejudicando a visão.
O nome "ceratocone" é originado pelas palavras ceratos, que significa córnea, e cone, nome de uma figura geométrica. Saiba mais em "Como enxergamos".
Ceratocone é uma doença hereditária e progressiva, mais frequente no sexo feminino. Normalmente ocorre nos dois olhos, porém com graus de acometimento diferentes. Não é um processo inflamatório; ocorre um afinamento e conseqüentemente, uma deformação da córnea central e/ou paracentral, que assume forma semelhante a um cone.
2. Evolução
Aparece geralmente na adolescência (dos 13 aos 18 anos) ou no adulto jovem, tem um caráter progressivo, podendo estabilizar-se após alguns anos de evolução. O afilamento e a conseqüente deformação da córnea levam ao aparecimento de miopia e astigmatismo, que tendem a progredir enquanto o ceratocone não se estabiliza. A doença tende a evoluir ao longo de três fases:
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a primeira é a chamada fase do "ceratocone incipiente", no qual o diagnóstico pode ser feito apenas por um exame específico chamado topografia de córnea. Nessa fase, a pessoa apresenta apenas astigmatismo de grau não muito alto. Como nenhuma distorção da região central da córnea é ocasionada nessa fase, a deficiência visual pode ser corrigida satisfatoriamente com uso de óculos, que proporcionará excelente visão ao paciente. |
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na fase seguinte, a doença tende a se agravar, passando a acometer a porção central da córnea. O grau de astigmatismo observado tende a ser alto, havendo também afinamento e deformidade da córnea. Nessa fase, o ceratocone pode ser diagnosticado em uma consulta simples, na qual se mede o grau dos óculos, a curvatura da córnea (através de um exame chamado ceratometria) e observa-se o aspecto microscópico dos olhos em um aparelho chamado de lâmpada de fenda. Nessa fase, devido à irregularidade e à assimetria do astigmatismo, a correção do problema com óculos deixa de ser satisfatória. O paciente somente conseguirá manter boa a sua visão, se seu grau de astigmatismo passar a ser corrigido com lentes de contato rígidas. |
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Na terceira fase, a córnea já está muito comprometida: o afinamento, a irregularidade e a deformidade evoluíram muito. A lente de contato não fica no lugar e cai repetidamente do olho, incomoda muito ao ser colocada, tornando-se assim, impossível que seu uso seja mantido nessa fase. A única alternativa então é a indicação do transplante de córnea. |
O ceratocone, em qualquer fase pode estacionar. Não necessariamente a doença progride para a terceira fase. Não leva à cegueira, porém em alguns casos provoca extremo desconforto, interferindo na qualidade de vida do indivíduo. [topo]
3. Sintomas
Depende da fase, porém os mais freqüentes são: diminuição progressiva da visão e/ou visão distorcida, principalmente para longe, mesmo com óculos. Pelo caráter progressivo leva a constantes trocas de óculos e lentes de contato. [topo]
4. Ceratocone agudo ou hidropsia aguda
No ceratocone em estágio avançado pode ocorrer um inchaço da córnea na área do cone, provocando na fase aguda, desconforto e diminuição da visão. Geralmente há regressão espontânea do inchaço e dos sintomas em algumas semanas, quando ocorre a formação de cicatrizes no local. Essa cicatriz provoca um aplainamento do ceratocone, observando-se uma melhora da visão se a mesma não estiver no eixo visual. A hidropsia aguda muito raramente causa perfuração ocular e geralmente não é indicação para transplante de córnea de emergência. [topo]
5. Sinais de ceratocone no exame clínico
- Sinal de Munson: observado nos ceratocones avançados, pela intensa deformação do cone. Consiste em uma alteração em forma de "V" da margem da pálpebra inferior quando o paciente olha para baixo. - Astigmatismo associado à miopia.
- Miras irregulares no exame de ceratometria.
- Área de encurvamento à topografia computadorizada de córnea, na região correspondente ao cone. [topo]
6. Características Topográficas
Os primeiros exames para diagnóstico do ceratocone permitiam a avaliação qualitativa, mas não a quantitativa do ceratocone. Eram exames não computadorizados que tinham base na reflexão da superfície da lágrima que se forma na córnea. A partir daí várias tentativas de quantificação foram realizadas.
O advento da ceratoscopia ou topografia computadorizada de córnea permitiu tanto a análise qualitativa como a quantitativa da doença. Os mapas topográficos coloridos obtidos proporcionam avaliações muito precisas da curvatura da córnea e também a classificação do astigmatismo quanto à sua regularidade e simetria.
A topografia computadorizada de córnea permite o acompanhamento da evolução do ceratocone e deve ser realizada periodicamente.
Padrões topográficos do ceratocone: não existe imagem no exame que por si só faça o diagnóstico do ceratocone. A análise dos mapas topográficos, juntamente com as observações clínicas são essenciais para o diagnóstico. O ceratocone inicial ou localizado fora do eixo óptico pode não ser detectado mesmo com esse exame. Vários estudos de topografia de córnea em membros da família de pacientes com ceratocone têm revelado a presença de ceratocone em pessoas que aparentemente não apresentam qualquer sintoma da doença. Isso se denomina ceratocone sub clínico. [topo]
7. Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial do ceratocone inclui outras doenças da córnea, por exemplo, degeneração marginal pelúcida e ceratoglobo, doenças provocadas pelo mau uso ou má adaptação de lentes de contato, etc.
A diferenciação entre o ceratocone e a deformidade corneana causada pelo uso crônico, incorreto ou má adaptação de lentes de contato rígidas ou gelatinosa é particularmente importante. No encurvamento ou deformação da Córnea pelas lentes de contato, as características do exame de topografia são semelhantes às do ceratocone e o diagnóstico diferencial é confirmado pelo teste terapêutico. Esse teste consiste em suspender o uso da lente e fazer reavaliações periódicas pois as deformidades regridem pela suspensão do uso das lentes. Outra pista para o diferencial é a inexistência de relação com a hereditariedade, mas sim, com uma história pregressa de uso de lentes. Nos casos iniciais de deformidade da córnea por uso de lentes de contato, geralmente há regressão das alterações. Em casos avançados, quando a irregularidade já comprometeu a estrutura da córnea, tal melhora não costuma ocorrer. Uma deformidade avançada pode, dessa forma, tornar-se um ceratocone secundário, necessitando de um transplante de córnea. [topo]
8. Condições Associadas
Na presença das doenças abaixo a frequência de ceratocone aumenta.
- Alergia: os pacientes alérgicos, pelo fato de coçarem freqüentemente os olhos podem desenvolver ceratocone
- Síndrome de Down (mongolismo): nesses pacientes a presença de ceratocone é mais frequente que no restante da população, bem como a chance desse ceratocone tornar-se um ceratocone agudo.
- Doenças sistêmicas: Síndrome de Marfan, Síndrome de Ehlers-Danlos, etc.
- Alterações oculares congênitas: catarata congênita, microcórnea, aniridia, esclera azul [topo]
9. Tratamento
Depende da fase da doença:
Fase incipiente: deve-se corrigir a deficiência visual existente com o uso de óculos.
Na segunda fase: os óculos já não corrigem suficientemente a visão. Devemos lançar mão do uso de lentes de contato rígidas, acrílicas ou gás permeáveis.
Na terceira fase: não mais é possível a adaptação de lentes de contato. As lentes passam a não mais serem toleradas, seja por não proporcionarem boa visão, seja pela má adaptação e desconforto. Nesse momento o transplante de córnea deve ser indicado. O transplante de córnea é o único tratamento definitivo para o ceratocone. É, atualmente, uma cirurgia muito segura, tendo bom resultado em pelo menos 90% dos casos.
A técnica cirúrgica utilizada e o acompanhamento pós-operatório são fundamentais para o bom resultado visual final. Também é fundamental que uma possível rejeição seja imediatamente reconhecida e tratada, sob risco de perda da córnea doada.
Recentemente outra opção terapêutica descrita é uma cirurgia chamada de implante de anel da Ferrara.
São implantados dois segmentos semicirculares de acrílico, com 5mm de diâmetro. Esse anel é introduzido na córnea de modo a produzir um achatamento da região mais curva. Essa cirurgia ainda está em fase de testes, não está aprovada para ser feita no Brasil. [topo]
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